Heliópolis


Foi nessa hora, quando a luz foi embora, que ficou claro o quanto cada qual era bom. Uma tendência irrefreável de não pegar nada do outro. Da mulher que andava só, não pegar no braço. Nem passar a mão. Nesse momento, ficou claro o quão bom era cada qual e cada um. O que é mal ao outro, naturalmente nos causa aversão. O que é bom nos atrai a si, como o sol. Sem que precisemos de incentivo ou aguilhão, de espora ou cutelo. De cartilha ou exemplo. De recompensa ou punição. Na terra ou nos céus. Isso fazemos, tão somente, por inclinação natural. E em sendo menos [ou menores] nossos motivos, façamos, então, do escuro a melhor razão para dobrar os joelhos.










Marcelo Novaes

4 comentários:

Mirse Maria disse...

Lindo e oportuno!

E em sendo menos e menores, é um bom motivo para dobrar os joelhos.

Sempre me encontro melhor no escuro, mas no escuro que eu programo.

Ontem, na surpresa, só lembrei de desligar da tomada o computador. Foi aí que ouvi um coachar de um sapo. Cismei que ele estava embaixo da cama.

Ontem não deu para dobrar os joelhos!

Beijos

Mirse

Marcelo Novaes disse...

Mirze,



Bondade mínima é esta. Aversão ao que causa dano a qualquer: nós e outros. Menos que isso, meçamo-nos diante da infinitude do Escuro.



Ou da Luz.



;)








Beijos, amiga.










Marcelo.

Ianê Mello disse...

Lindo texto!

Dobrar os joelhos em reverência ao humano em nós.

No escuro, enfrentamos a nós mesmos.


Beijos

Marcelo Novaes disse...

Ianê,


O escuro desvela.





Beijos, amiga.









Marcelo.

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